Camilo Cavalcanti
Um moço interessante...
Para descrever este homem do mês, vou contar como cheguei até ele. Foi indicação de uma amiga. Ela disse: meu primo acaba de voltar da Índia, é educador físico e gosta de trabalhar com crianças com necessidades especiais. Achei o perfil de Camilo Cavalcanti,de 26 anos,interessante para a coluna.
Em tempos de vida online, meu primeiro contato com o rapaz em questão foi através de email. Conversamos desta forma algumas vezes e logo o adicionei no msn. Nestes primeiros momentos, ele pareceu-me muito divertido. Pelo raciocínio rápido, inteligente e bem humorado acabei por associá-lo a imagem de um palhaço. Digo isso, pelo pouco conhecimento que tenho dessa arte. Palhaços são sempre autênticos e sagazes. Duas virtudes muito admiráveis.
Quando o conheci senti um leve susto. Esperava alguém mais visivelmente fanfarrão e deparei-me com um homem tímido. Aos poucos, ele foi se soltando e o humor das conversas eletrônicas reapareceu. Sempre solicito, respondeu todas as perguntas com interesse e total entrega, mesmo quando eram um pouco invasivas!
E no final como uma forma de agradecimento, Camilo presenteou-me com ... uma flor!
Vamos combinar meninas! Esse gesto delicado e despretensioso já o faz o Homem do mês de junho da Delas.
Conte um pouco sobre a sua trajetória profissional
Formei em Educação Fisica pela UFMG. Trabalhei uns bons anos com atividade física para pessoas com depressão, ansiedade, enfim, esses males modernos.Depois, fui pra Suiça onde trabalhei na Educação Básica e na Educação Física para crianças e jovens com necessidades especiais. Após um ano, mudei-me pra Inglaterra. Lá trabalhei também na educação dessas crianças e jovens. Passados dois anos de dedicação ferrenha - media de 13h de trabalho diário, seis vezes por semana – decidi então tirar um tempo pra mim e fui pra Índia... Voltei para terrinha em dezembro2007 e tenho trabalhado na pesquisa e discussão do tema: educação para portadores de necessidades especiais - principalmente em instituições e com pessoas que promovem a educação inclusiva em BH e no Brasil.
O que você aprende com as crianças?
A autenticidade. Ser verdadeiro. A gente vai colocando carapaças. Criando defesas para lidar com as dificuldades da vida. Acabamos criando uma imagem. Isso a própria sociedade impõe. Agora, a criança não tem que ser nada. Se quiser fazer birra, ela faz.
Já quando você fala a língua dela, ela se entrega e pensa: Eu posso me relacionar com esse grandão.
Os males modernos como depressão, síndrome do pânico. Você trabalhou diretamente no tratamento destas patologias. Em sua opinião, por que eles são tão recorrentes na sociedade atual?
É uma perda do contato do sujeito consigo próprio. Afastamento do eixo. Um desvio do “eu”. A pessoa esquece os seus propósitos e deixa se influenciar pelos outros.
) Você busca um auto-conhecimento. Para se relacionar com uma mulher é necessário que ela tenha também essa preocupação?
Acho que sim. Essa preocupação é uma forma de querer crescer. Caso a pessoa não tenha esse desejo fica difícil construir uma relação. Mas há muitas pessoas interessantes por aí. Mulheres e homens que querem desconstruir a desvalorização da relação “dois a dois”.
Para onde você não quer ir?
Não quero ir para um lugar onde existam pessoas que não querem estar lá. Já conheci lugares assim.
O humor. Você conquista pelo humor?
Todo mundo quer ser amado. Quem não gosta de alguém que te faz rir? Isso me atrai também nas pessoas. O humor revela a autenticidade de uma mulher.
Ir para a cama na primeira noite...
Qual o problema? Se bateu um clima? Esse tabu é mais comum aqui no Brasil, especificamente em Minas Gerais. Na Europa, as mulheres bancam mais o desejo delas.
Quando uma mulher te tira do eixo?
Quando ela me surpreende. Um vez, estava na Suíça e era meu aniversário. Meus amigos estavam todos lá, uma menina chegou e me disse: Hoje, você vai dormir comigo? Fiquei sem reação...
Que música você gosta de ouvir?
Eu gosto de música boa. Tenho paixão por música instrumental. Adoro samba. Estou ouvindo “ Zé da velha e Silvério Pontes”. Música brasileira corre nas minhas veias.
Você se considera um homem feminino?
“Homem feminino” é um homem moderno. Este é um nome “novo” para um homem que consegue lidar com as qualidades femininas e masculinas. Tenho essa mobilidade, sou homem e tenho certeza do que quero. Isso que importa.
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