Vitrola Digital  
por Bruno Furletti  

Os velhos problemas

 

Relendo algumas edições antigas da revista BIZZ, deparei-me com uma matéria chamada “Debate Rock Brasileiro.” (Edição 31, FEV/88 – pág 54/55)

 

A revista BIZZ convidou “os representantes de bandas de sucesso, de bandas de muito sucesso, de bandas velhas de guerra, de bandas fora do esquema para trocarem opiniões e alfinetadas... Pela ordem de entrada: Renato Russo (Legião Urbana), Herbert Vianna (Paralamas), Fê (Capital Inicial), Gutje (Plebe Rude), Charles (Titãs), Nasi (Ira!), Paulo Ricardo (RPM), Scowa (Máfia), João (Ratos ele Porão), Sanelra (Mercenárias), Carlos Maltz (Engenheiros do Hawaii) e o musicólogo Hermano Vianna foram os nossos convidados presentes. Pela BIZZ, José Augusto Lemos, Jean-Yve de Neufville, Thomas Pappon (que também falou de sua experiência como guitarrista do Fellini), Alex Antunes (que, sob a alcunha ele Pereira Antunes, era vocalista elo Akira S) e Sônia Maia compareceram.”

Separei algumas passagens desta matéria: 

“Tem que acontecer alguma coisa para acabar com essa dependência do público em geral dos meios de comunicação de massa. Porque se o pessoal ficar dependendo de televisão, do que toca no rádio para consumir, para comprar disco, então vai ser um inferno...acho que as coisas só tendem a piorar...” Fê (Capital Inicial) 

“Há muita coisa para se resolver - por exemplo, direitos autorais.” Fê (Capital Inicial) 

“(...)E a gravadora respondeu: você vende para o lojista mais barato, e ele pode cobrar mais barato do consumidor. Mas o lojista diz que não, que não adianta vender mais barato porque as pessoas não compram! (...) Foi essa a justificativa da gravadora.” Charles (Titãs) 

“A respeito de preço, acontece mesma coisa com a numeração. Não se consegue fazer isso, por quê? O cara da gravadora diz: "Não dá para numerar o disco, vai ter que mudar maquinário. Isso é papo furado.” Gutje (Plebe Rude) 

“O pessoal das gravadoras está se, dando mal, e não está percebendo. E aí acaba revertendo isso para a gente também, que não está vendendo disco.” Gutje (Plebe Rude)

 “Até gravar o disco, tudo bem. O problema é a distribuição.” Fê (Capital Inicial)

 “Não concordo com esse negócio que você está dizendo, de que os Ratos (de Porão) vão morrer por ter ou não ter gravadora. De jeito nenhum! Se você fizer o disco independente se você tem um público, você sobrevive com ele, sem precisar tocar em rádio, sem nada...” Thomas Pappon (Bizz) 

“Com o terceiro disco, nós fomos simplesmente excluídos do rádio. E descobrimos um mercado que estava à parte, que pensa fora dos meios de comunicação. A gente, por uma sorte, atingiu esse mercado que comprou nosso disco.” Charles (Titãs)

 “Rock, hoje em dia, é uma palavra que não significa mais nada. Nem rebeldia nem nada. Rock vende sabonete na televisão, vende vodka na televisão...” Fê (Capital Inicial)

Bom, os trechos acima foram retirados de uma revista publicada há 20 anos. Mas com certeza, eles se encaixam em qualquer publicação lançada em 2008. 

     

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